“Vou ali na rua debaixo soltar pipa. Foi e não voltou mais”, diz mãe31 de dezembro de 2011 • 15h31
“Vou ali na rua debaixo soltar pipa. Foi e não voltou mais”. As últimas palavras que Lucilene Corrêa, 31 anos, ouviu do filho na tarde de quarta-feira foram estas, pouco antes de o menino ir para o lixão.
A mãe, em uma linguagem que mostra a simplicidade da família consegue relatar passo a passo o que sucedeu assim que ela soube.
“Vieram avisar. Eu não acreditei, mas fiquei apavorada e nós foi pra lá na garupa da bicicleta”.
O desespero de Lucilene começou aí. Os fatos a seguir, cada grito na tentativa de ajudar vão ficar gravados na memória da mãe que perdeu o filho para o lixão. “Não tinha máquina ainda, os trabalhadores começou a tirar o lixo com as mãos. Só duas horas depois que começaram a escavar”, diz.
A dor se mistura a revolta. “Estão dizendo que a culpa é minha, que eu que deixei. Meu filho não ia pro lixão, minha família não vive disso. É mentira, ele falou que ia soltar pipa, eu não sabia de nada”, desabafa a mãe.
Nesta quinta-feira, a prefeitura soltou uma nota oficial relatando que a Assistência Social do município havia passado na casa da família na manhã do desmoronamento, dando orientações sobre o cuidado com as crianças no lixão.

















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