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Marcapasso é implantado em bebê prematuro com 15 minutos de idade nos EUA16 de fevereiro de 2012 14h29

Menina nascida nove semanas mais cedo com coração pouco maior que uma noz é o menor paciente a receber o dispositivo

Jaya Maharaj tinha apenas 15 minutos de idade, quando foi enviada para cirurgia no Lucile Packard Children's Hospital (EUA) e recebeu um marcapasso que salvou sua vida. A menina - nascida nove semanas mais cedo, pesando 3,5 quilos, com um coração um pouco maior que uma noz - havia sido diagnosticada antes do nascimento com um defeito cardíaco grave. De acordo com a literatura médica, Jaya é a menor paciente a receber um marcapasso.

O caso de Jaya é notável, não apenas por causa de seu tamanho, mas porque muitos fetos com a sua condição, bloqueio cardíaco congênito, não sobrevivem à gravidez. A pesquisa mostrou que de 20% a 50% dos pacientes diagnosticados no pré-natal morrem no útero ou nas primeiras semanas após o nascimento. No entanto, realizar o parto prematuro para o implante de marcapasso traz os seus próprios perigos. Quando Leanne Maharaj, mãe de Jaya, foi ao hospital com 28 semanas de gravidez, os médicos pesaram os riscos conflitantes.

"Nós sabíamos que a qualquer momento o coração do bebê poderia parar. Nós tivemos que decidir: Em que ponto faremos o parto para equilibrar este risco com o risco do parto prematuro?", disse a neonatologista Valerie Chock, membro da equipe grande e multidisciplinar que planejou o nascimento de Jaya e a cirurgia.

O bloqueio cardíaco congênito se desenvolve se, durante a gravidez, o sistema imunológico da mãe por engano atacar as fibras nervosas que transmitem os sinais de pulsação através do músculo cardíaco fetal. Quando isso acontece, a frequência cardíaca fetal torna-se perigosamente lenta. Pode-se desenvolver uma insuficiência cardíaca congestiva, na qual o fluido fica aglomerado em torno do coração e dos pulmões, e o corpo não consegue obter o oxigênio necessário para o crescimento. Pior ainda, as diferentes câmaras do coração podem bater de uma forma descoordenada e o coração pode parar.

A equipe médica examinava Jaya duas vezes por semana antes do nascimento, monitorando a sua frequência cardíaca e crescimento, e observando o líquido em torno de seu coração e dos pulmões. Leanne recebeu uma medicação esteroide para minimizar o dano contínuo do coração de Jaya. Como o bebê estava crescendo e não apresentava sinais de insuficiência cardíaca, a equipe decidiu que poderia esperar até 31 semanas de gestação para realizar o parto.

Em 22 de novembro, Leanne foi levada para uma sala de cirurgia, onde cerca de 25 médicos a esperavam para realizar sua cesariana e estabilizar o recém-nascido. Na sala de operações ao lado, uma outra equipe se preparava para a cirurgia de Jaya.

O peso de Jaya, 1,6 kg, saudável para um bebê prematuro, confirmou que seu problema cardíaco não havia prejudicado o seu crescimento no útero. Mas seu coração estava com apenas 45 batimentos por minuto - muito abaixo da taxa de 120 a 150 batimentos por minuto, típica dos recém-nascidos, e abaixo do limiar de 55 batimentos por minuto em que a estimulação artificial imediata é considerada essencial. A equipe teve de começar sua cirurgia cardíaca, o mais rápido possível.

O cirurgião, Katsuhide Maeda, tinha planejado dar a Jaya fios de estimulação temporários que ligariam seu coração a um dispositivo fora de seu corpo que geraria um sinal de pulsação. Esta abordagem foi utilizada em prematuros minúsculos antes. Ela permite uma cirurgia inicial rápida, mas tem a desvantagem de exigir que o paciente passe por uma segunda cirurgia no peito algumas semanas mais tarde, para implantar um marcapasso definitivo.

Na sala de operação, Maeda revisou seu plano "Jaya estava em estado crítico, mas não tão doente a ponto de ter necessidade de compressões torácicas", disse Maeda. Apesar de lenta, a frequência cardíaca de Jaya era estável, de modo ele decidiu que poderia implantar um marcapasso permanente e poupar Jaya de uma segunda cirurgia.

Ainda assim, Maeda procedeu com cautela. "Seu músculo cardíaco era tão frágil que eu tinha que ser extremamente cuidadoso para a colocação dos pontos. O músculo cardíaco em um bebê tão pequeno pode ser facilmente rasgado; por isso as pessoas geralmente preferem simplesmente colocar fios de estimulação temporários", disse ele.

Com o total de oito pontos, Maeda conectou as duas pontas do marcapasso ao coração de Jaya. Depois ele implantou um marcapasso em seu abdômen superior. A cirurgia foi concluída e a taxa cardíaca de Jaya havia voltado ao normal quando ela tinha apenas duas horas de idade.

Após a cirurgia, Jaya passou seis semanas na UTI Neonatal. Com o seu coração bombeando adequadamente, ela cresceu rápido e pôde ir para casa em 12 de janeiro. Seu prognóstico é excelente: as pontas de seu marca-passo devem ser reposicionadas, ocasionalmente, quando ela crescer, e ela vai precisar de baterias novas para o marcapasso dentro de cinco a sete anos, fora isso, ela será capaz de levar uma vida normal.

isaude.com

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